sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Quem é o responsável


Um motorista avança um sinal vermelho num cruzamento e causa um acidente. Neste cruzamento não havia a presença de um “guarda de trânsito”.
A ausência do fiscal neste cruzamento altera a culpa do motorista? Não.
A ausência do “guarda” gera uma culpa pelo acidente para o poder executivo? Não.
O desabamento do prédio, construído regularmente, como ocorrido em Recife ou o colapso da barragem de Brumadinho são desastres de responsabilidade dos gestores privado. O estado tem suas falhas e seus erros. Mas coloca-los como corresponsáveis não contribui para reduzir os riscos de desastres existentes, muito pelo contrário, ajuda a dividir responsabilidades, auxiliando que os culpados não sejam efetivamente condenados. O exemplo do acidente no cruzamento ajuda entender esta lógica.

Edificações irregulares cuja construção e permanência tenha sido tolerada caracterizam um erro do poder público, em especial porque estas construções não possuem “responsáveis formais”.  Neste caso a ausência do “guarda fiscalizador” gera uma responsabilidade.
Associar o desabamento de uma construção regularizada a uma falha de fiscalização é atribuir uma capacidade, tanto qualitativa quanto quantitativa, ao poder público que ele é incapaz de possuir. Atribuir esta responsabilidade ao poder público interessa apenas ao verdadeiro dono do “risco” pois estará turvando sua responsabilidade.
Desastres de grandes proporções geram grande cobertura midiática, isto faz com que os termos utilizados e os comentários sejam feitos com a devida cautela e atenção para que equívocos conceituais relativos a gestão de risco não sejam cometidos.
Um ponto fundamental e de rápido entendimento é que a gestão de riscos se inicia pela adequada identificação do evento de risco que se deseja gerencia. Um evento de risco tem que ter um gestor e um gestor somente tem capacidade de tratar um risco que seja de sua competência.
Gerenciar riscos de outros é perda de energia, desperdício de recursos e um equívoco metodológico.

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Terreirão do Samba Seguro



Está sendo publicado nos jornais de hoje, 10 de outubro de 2019, que a RioTur reassumiu a administração do Terreirão do Samba e o Sr. Milton Cunha será o curador do espaço. Na semana que vem será feita uma licitação seleção de patrocinadores para a obtenção de recursos destinados às melhorias no local.
O que fez o Terreirão ficar interditado não foi sua agenda de eventos e sim sua precária infraestrutura e organização que resultaram na morte de uma jovem. Pelo que foi informado pela mídia o Terreirão não atendia aos requisitos mínimos de segurança necessários para seu uso e não tinha aval do Corpo de Bombeiros.
Nesta nova fase, espera-se que as instalações estejam corretas e que o Corpo de Bombeiros inspecione e autorize o funcionamento. Mas esta liberação não é um atestado de segurança permanente.
A segurança de um evento começa pela utilização de uma instalação segura, que cumpra os requisitos legais necessários, mas isto não é tudo. O dia-a-dia, ou hora-a-hora, do evento precisa de uma gestão que tenha conhecimento técnico de gestão de eventos, incluindo a gestão de conforto e segurança dos usuários das suas instalações. Isto não é garantido pelo laudo do Corpo de Bombeiros. Isto é garantido por gestores e técnicos capacitados e com conhecimentos de segurança em eventos.
É necessário conhecimento técnico para se oferecer um evento seguro e é necessário conhecimento técnico para saber onde se erra e onde se acerta.
Sem conhecimento será feito sempre “mais do mesmo”, e a ausência de acidentes necessariamente não significa uma gestão correta e segura, podendo ser simplesmente uma decisão do acaso.

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Óleo sem dono

No dia 2 de setembro de 2019 foi noticiado que resíduos de óleo foram encontrados numa praia em João Pessoa. Ontem, dia 7 de outubro, trinta e cinco dias depois, a Presidência da República se manifestou, depois das manchas de óleo terem atingido o litoral brasileiro entre Bahia e Maranhão.
A extensão do litoral atingido é de 3.300 Km, equivalente a aproximadamente 45% do litoral brasileiro. Neste desastre sabemos, no momento, parte dos impactos, mas não sabemos as causas e não sabemos como o mesmo ainda evoluirá.

Vários gestores de risco, cada um na sua instância falharam. O comandante da embarcação que vazou o óleo errou, a Marinha do Brasil falhou ao demorar emitir um alerta e iniciar a resposta adequada, o IBAMA também falhou na detecção e na resposta. Entender o que aconteceu, onde houveram erros e saná-los é imperativo. Pela extensão este incidente deve ter tido início em águas internacionais, o que amplia o escopo e insere outros interlocutores.
No estágio em que estamos cabe gerenciar para que os impactos já existentes sejam mitigados, e que novos impactos sejam minimizados ou evitados.
O evento de risco já ocorreu, mas ainda há muito por fazer.